EN-QUÊTE DE MONTAGNE
Cartografias Ibéricas
Cordilheira do Sistema Central Ibérico
Quatro fotógrafos e artistas (Carlos Casteleira, Lourdes Germain, Duarte Belo e João Abreu) colaboram com geógrafos, antropólogos, urbanistas e cartógrafos para cruzar os olhares numa perspetiva paisagistica do Sistema Central Ibérico. Cada um com a sua própria metodologia, exploram e investigam esta cadeia montanhosa, uma unidade geológica que atravessa a península de leste a oeste, da Serra de Ayllón às Serras da Estrela e do Açor em Portugal, passando pelas Serras de Guadarama, Gredos, Béjar, Francia, Gata, Mesas, Malcata e Gardunha. Os resultados incluem mapas, fotografias ou vídeos. Os formatos são adaptáveis aos espaços de exposição.
SÁBADO, 15 de abril de 2023
Partida de Aix-en-Provence para Ayllon. Passamos a primeira noite em Astugue nos Pireneus.
DOMINGO, 16
Partida para Ayllon, em direção ao Museu Guggenheim de Bilbao. Chegamos a Riaza às 20h30. Passamos a noite na Casa Pastor e jantamos na praça da vila, rodeada por arcadas. A Serra de Ayllon, a 10 minutos de carro, banhada por um céu azul, dominava a paisagem.
• SEGUNDA-FEIRA, 17
Subimos até a estação de ski de La Pinilla. Houve pouca neve este ano. Esta estação de ski so funcionou quatro dias. Seguimos para Guadarama, passando por Somosierra. Contornamos MAdrid e, à noite, chegamos a Ávila.
• TERÇA-FEIRA, 18
Pagar uma multa de estacionamento atrasou-nos, mas saímos de Ávila rumo a Hoyos del Espino, perto do Pico de Almenzor, por volta do meio-dia. No final da tarde, descobrimos a Plataforma de Gredos. Caminhamos até chegar ao Pico. Numerosas cabras ibéricas acompanharam a subida. Embora não fossem particularmente tímidas, não nos deixaram chegar perto. Estão acostumadas com os turistas e são atraídas por uma eventual comida. Muitas aves sobrevoavam os vários riachos e córregos descendo a encosta. Ao cair da noite as sombras das cabras seguem nos discretamente. Descemos tarde de mais de Almenzor para chegar a Candeleda antes do Hotel Pastora fechar e dormimos no Hotel Garabatos, bem mais perto.
• QUARTA-FEIRA, 19
Após uma noite e um café da manhã rápido, partimos para Candelario, na Sierra de Béjar. Seguimos para a Plataforma El Travieso, o ponto de partida para o trilho até o Canchal de la Ceja, uma caminhada de 4 horas e 2428 metros de altitude. Avistamos a Sierra de Francia e os picos ainda nevados da Sierra de Béjar. O pôr do sol iluminava os lagos. A noite já havia caído quando voltamos à Plataforma. Partimos para Malpartida de Cáceres – Extremadura pela autoestrada. Avistamos um corço e chegamos um pouco antes da meia-noite aos albergues de San Isidro, nos Barruecos de Malpartida.
• QUINTA-FEIRA, 20
Estamos rodeados por uma paisagem rural e muitas cegonhas. Entendemos por que Wolf Vostell escolheu Los Barruecos para instalar o seu atelier, pois o cenario é lindissimo. Mais tarde, este se tornaria o Museu Wolf Vostell de Malpartida.
• SEXTA FEIRA, 21
No Museu Helga de Alvear, encontramos o Andrés Talavero e a Lourdes Germain, artistas convidados pelo projeto, e os outros parceiros espanhóis e portugueses para a “Rueda de prensa” de apresentação do projeto.
Em julho de 2023, voltamos a explorar as estâncias de ski da Cordilheira do Sistema Central Ibérico.
Carlos Casteleira, Malpartida de Cáceres, 20 de abril de 2023
Aproximamo-nos dos Pirenéus, onde passamos a noite. Próxima paragem: Bilbao. Percorremos esta rota pela primeira vez, desde a Serra do Jura até à Serra da Estrela, em 1968. Fomos surpreendidos por uma forte queda de neve. A travessia do planalto espanhol, a uma altitude superior a 600 metros, decorreu sob um sol radioso e um frio de rachar, mas estavamos felizes por nos dirigimos para a aldeia que tínhamos deixado quatro anos antes. A viagem terminou no sopé da Serra da Estrela, uma montanha mágica, um pais das maravilhas, uma paisagem de paraíso perdido.
So hoje descobro as estancias de ski de Espanha: La Pinilla na Serra de Ayllón, Valdesqui e Navacerrada na Serra de Guadarama, populare entre os habitante de Madrid desde 1907, e La Covatilla na Serra de Bejar.
Estas serras da Cordilheira transfronteiriça do Sistema Central Ibérico são impactadas pelo turismo e por fatores climáticos que perturbam a ordem económica e social destes territórios. Como conciliar as necessidades ecologicas com a atractividade destas paisagens? Como minimizar o impacto da atividade humana sobre este meio ambiente?
As 5 estâncias de esqui da Cordilheira Central Ibérica:
• La Pinilla (Sierra de Ayllon)
• Puerto de Navacerrada (Sierra de Guadarama)
• Valdesqui (Sierra de Guadarama)
• La Covatilla (Sierra de Béjar)
• Torre (Serra da Estrela)
O mapa é uma colaboração com Jean-Michel Meyer, urbanista e cartógrafo em Aix-en-Provence.
Representa os percursos realizados na primavera e no verão de 2023 e localiza os principais picos bem como as 5 pistas de ski da Cordilheira Central Ibérica.