OCULTOS. Control de fronteras, control de privilegios
Projecto centrado nas dificuldades e vicissitudes enfrentadas por pessoas que foram forçadas a abandonar o seu país por motivos de natureza política, entendendo o político como tudo aquilo que diz respeito aos indivíduos. O objectivo deste trabalho consiste em formular uma análise crítica das consequências das políticas migratórias, procurando dar visibilidade à realidade vivida por todos aqueles que se veem obrigados a abandonar o seu contexto de origem para garantir a sua sobrevivência. Ao longo do seu desenvolvimento, o projecto baseou-se na documentação e na realização de entrevistas a migrantes, refugiados, exilados, advogados de direitos humanos, profissionais de organizações não-governamentais, agentes sociais e voluntários provenientes de diferentes regiões da Europa, Ásia, África e América, ao longo de um período de dois anos.
Ocultos surge da necessidade de promover uma reflexão sobre a vulnerabilidade do ser humano perante os acontecimentos que estiveram na origem dos grandes êxodos e fluxos migratórios das últimas décadas, abordando as dimensões pessoais da experiência de cada um dos participantes. Enquanto filha de exilados políticos e neta de migrantes, assumo uma posição de envolvimento directo com as temáticas da diáspora, do deslocamento e do desenraizamento, exploradas a partir de uma perspectiva intimista, através da análise das vivências mais significativas partilhadas pelos entrevistados, em diálogo com a minha própria história e referências.
A fotografia e o vídeo constituem os principais dispositivos metodológicos e expressivos do projecto, permitindo uma abordagem centrada nas emoções, na percepção do visível a partir do olhar dos sujeitos tornados invisíveis, nos processos de construção identitária através do prisma da alteridade e nos mecanismos de delimitação de fronteiras sobre paisagens entendidas como território universal. Do ponto de vista estético, o trabalho estrutura-se a partir de uma lógica de narratividade, assente em paisagens ambíguas e na activação da memória nas suas diferentes camadas e configurações, entendendo o visual como um elemento integrante dos diversos enquadramentos geopolíticos e culturais que emergem ao longo da investigação.
O projeto desenvolve-se através de duas linhas interligadas — editorial e expositiva/instalativa — reunindo uma série de fotografias em diferentes formatos, uma publicação e seis obras audiovisuais.
LIVRO DE ARTISTA
A publicação é composta por duas secções. A primeira consiste num fotolivro de carácter intimista, que reúne testemunhos de refugiados provenientes de diversos países. A segunda corresponde a um anexo, no qual é apresentado um mapeamento abrangente da situação jurídica internacional e das experiências de milhões de cidadãos na actualidade.
OBRAS AUDIOVISUAIS
Nestas obras, Welcome e Tránsito apresentan a travessia marítima como um último ato de sobrevivência e condena abertamente a indiferença e a inação política dos governos ocidentais perante a morte de migrantes no mar.
WELCOME. 1’ 59’´. 2019
TRÁNSITO. 1´18´´. 2022
NOWHERE. 2´21´´. 2019
Convida à reflexão sobre as condições de vida dos migrantes que chegam a um porto seguro apenas para se encontrarem presos em países do Primeiro Mundo como cidadãos de segunda classe. A obra transmite a perda de esperança perante um futuro incerto.
PATRIA. 2´06´´. 2020
Trata-se de uma crítica às políticas responsáveis pelos grandes êxodos e migrações dos séculos XX e XXI, motivados por fatores ideológicos, económicos ou religiosos.
Nestas obras, Once upon a time e Hunting, um estudante malinês e uma estudante russa — ambos a frequentar estudos de teatro no momento da filmagem — foram convidados a interagir de forma espontânea com a câmara. Os seus gestos e movimentos funcionam como um meio performativo para expressar as suas experiências vividas e as emoções a elas associadas.
ONCE UPON A TIME. 2´36´´. 2021
HUNTING. 2´52´´. 2021