SCARS
Este projecto analisa a intervenção humana na paisagem. Explora as marcas e transformações resultantes de processos orientados para o benefício próprio e propõe uma reflexão crítica sobre os vestígios deixados por essas acções. Estes vestígios são entendidos não apenas como restos físicos, mas como manifestações de relações de poder e exploração, evidenciando as tensões entre progresso, impacto ambiental e memória.
SCARS estabelece uma relação com a paisagem através de duas fases distintas. A primeira decorre de um período de imobilidade após um acidente, que limita a experiência ao espaço digital. A segunda surge com a recuperação física, permitindo um reencontro corporal com o ambiente natural. Estas duas fases revelam modos distintos de percepção do território: através do ecrã e por meio do contacto directo e multissensorial com a natureza.
SCARS abre espaço para repensar a experiência sensorial em relação à paisagem. Estrutura-se em torno de três eixos fundamentais: a ação humana face à resiliência da natureza, os diferentes modos de perceção —da mediação tecnológica à experiência direta— e, de forma central, a temporalidade. Em contraste com a nossa conceção linear e progressiva do tempo, o projeto coloca em primeiro plano os ritmos cíclicos da natureza, convidando o espectador a experienciar uma temporalidade mais lenta e a reconhecer os fluxos recorrentes que atravessam as paisagens.
O projeto propõe uma abordagem interdisciplinar articulada em torno de dois eixos complementares: um analítico, através da criação de "Territorio Intervenido" por meio de código de fonte aberta (Processing), e um perceptivo, com peças audiovisuais que capturam a experiência sensorial do espaço e do tempo. Estas perspetivas convergem para ressignificar os espaços percorridos, oferecendo uma leitura multifacetada que integra a lógica do dado, a narrativa visual e a perceção subjetiva.
CÓDIGO DE FONTE ABERTA
TERRITORIO INTERVENIDO 3´16´´ 2023-24
Este trabalho centra-se na construção de mapas ficcionais e irreais derivados de imagens de satélite. Fragmentos captados a partir do Google Earth são extraídos do seu contexto geográfico original e reconfigurados através de código de fonte aberta, produzindo cartografias que já não correspondem a nenhum território existente. Ao trabalhar a partir do olhar distanciado e totalizante do satélite, o projeto questiona como as tecnologias contemporâneas de observação geram visões abstratas e especulativas do espaço, onde o território se torna dado, superfície e ficção.
OBRAS AUDIOVISUAIS
Este conjunto de obras audiovisuais resulta de uma experiência de imersão sensorial em albufeiras, florestas e percursos, cartografando territórios como Las Hurdes, a Albufeira de Gabriel y Galán e a Via Verde entre Baños de Montemayor e Béjar. Estas paisagens guardam uma memória latente marcada por desastres naturais, abandono institucional e processos históricos de expropriação, onde forças humanas e naturais permanecem em constante negociação.
As obras estruturam-se como uma composição sonora contínua, sem início nem fim definidos, evocando uma temporalidade cíclica inerente aos sistemas naturais. Em contraste com as noções lineares e progressivas do tempo associadas aos paradigmas tecnológicos e culturais contemporâneos, o projeto propõe uma experiência em que o tempo se encontra suspenso, privilegiando uma perceção temporal mais lenta e reflexiva.
SCARS. Vídeo HD com áudio. 3´21´´. 2025. BÉJAR_ BAÑOS DE MONTEMAYOR_CASTAÑÁR DE HERVÁS_VÍA VERDE_GRANADILLA
ALMA INMOLATA. Vídeo HD com áudio. 5' 57''. 2024. LAS HURDES
CONTINUUM. Vídeo HD com áudio. 6' 21''. 2024. LAS HURDES
AETHERNUS. Vídeo HD com áudio. 5' 2024. EMBALSE DE GABRIEL Y GALÁN
KATHARSIS. Vídeo HD com áudio. 5'12''. 2024. MEANDRO MELERO
ALMA SÓLIDA_0. Vídeo HD com áudio. 4' 47''. 2024. BAÑOS DE MONTEMAYOR_BÉJAR
ALMA SÓLIDA_1. Vídeo HD com áudio. 4' 47''. 2024. CASTAÑÁR DE HERVÁS